A vida é grande e pesada para quem a carrega.
Eu a carrego em partes; Ás vezes a mando ir sozinha.
Ás vezes nem ligo para com que ela fala; Ás vezes, fico ali, parada como quem não quer nada. Ela, sem reação.
Ela nunca está onde devia estar. Ela nunca fala o que eu deveria escutar.
Minha inimiga. Minha rival, constante.
Mas está lá.
Nunca referi uma só palavra. Nunca me movi em direção à ela (No máximo, ao lado). E ela, ela cantava.
Sempre a ignorei. Mas ela estava lá. Do lado, sem reclamar.
Nunca me ajudou, eu nunca a ajudei. Nunca me deu problema. E eu, eu só fazia isso.
Minha inimiga. Minha rival, enervamente.
Sempre me deu oportunidades. Sempre as tomou de volta.
Me cobrava os favores de volta. Nunca paguei.
Confesso; às vezes ficou atrás de mim, para me empurrar. Havia um tempo já parada. Precisava me mover.
Mas não olhei pra trás, para olhar em sua face. Fiquei enfurecida. Não agradeci.
Estou brava! Sempre estou; ó minha inimiga, minha rival.
Ela tentou me avisar, e eu falei pra esquecer. Que não dava mais.
Seus presentes gregos eu recebia. Calada. Com choro:
Crises existenciais, dilemas, perdas.
Minha inimiga. Minha rival.
Afastou-se de mim. Adoeci. Mas voltou. Sorri.
Não adianta, vida, não vou te deixar!
Minha inimiga. Minha rival. Meu amor. Minha vida!
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